Recentemente adquirimos novos aparelhos de oftalmologia.
Hoje vamos falar do Retinógrafo de campo ultra-amplo (ultra-widefield). Este sofisticado instrumento faz fotografia da retina, sem dilatação da pupila, com uma resolução altíssima.
O Globo ocular e o Globo terrestre tem especificidades no seu estudo, com semelhanças e diferenças.
O oftalmologista quer estudar o interior do olho enquanto o cartógrafo quer mapear a superfície da Terra.
Comparando o interior do Globo ocular com o Globo terrestre, na Retinografia o problema é adquirir uma imagem através da pupila, com uma abertura estreita, e obter uma imagem do interior do olho o mais extensa possível – a periferia da retina. Na Cartografia, o problema é planificar uma superfície curva com o mínimo de distorções, ao passar da superfície curva esférica em 3D para a plana de um mapa.
O termo Cartografia, do francês carte, mapa, foi criado pelo Visconde de Santarém aquando da sua emigração forçada para Paris após a guerra civil entre Reis irmãos.
O Visconde defendeu a prioridade dos descobrimentos portugueses. Foi um grande estudioso dos mapas e da história da cartografia. Ficou conhecido pelos seus Atlas.
O principal problema da cartografia é a projeção num plano de uma superfície esférica que foi superada por Mercator. Este teve como precursor Pedro Nunes, que com a prática de navegação dos portugueses, criou o conceito de linha de rumo na superfície esférica do globo, uma linha em espiral, como o descascar de uma laranja rodando à volta do cento, que representava a menor distancia entre dois pontos.
Pedro Nunes, formado em medicina, foi o grande matemático e cosmógrafo do Reino.
Para se avaliar o valor e reputação de Pedro Nunes basta dizer que o Papa Gregório VII quando fazia a revisão do calendário, mais tarde conhecido como Gregoriano, que substituiu o anterior, Juliano ( de Júlio César), pediu a opinião de Pedro Nunes insistentemente até à sua morte.
Mercator é conhecido por ter inventado a projeção com o seu nome que é uma projeção cilíndrica com os meridianos equidistantes mas as paralelas a encurtarem para o equador, a que deve a necessidade de melhorar os cálculos de distâncias nas cartas náuticas. É esta projeção que faz com que a imagem da Gronelândia no extremo norte e portanto onde o Globo se torna mais estreito seja quase tão grande como África, nos mapas ao contrário dos Globos.
Na Retinografia o diâmetro da pupila é um fator condicionante da amplitude da fotografia do Fundo Ocular. O retinógrafo de campo ultra-amplo usa um sistema com captação de imagem sem dilatação até 200°, ou seja, aproxima-se de 82% da retina, portanto uma área excecionalmente extensa. Emprega tecnologia de laser cSLO – Coherent scanning laser oftalmoscope, que permite fotografar a retina através de pupilas pequenas e com 3 gamas de laser, azul, verde e vermelho, a incidir nas camadas mais externa, média e interna que pode dividir as imagens em três camadas diferentes, das mais superficiais às mais profundas, sempre com uma resolução altíssima.
A imagem composta assemelha-se a projeção do Globo terrestre num mapa, mas aqui estamos a colocar num plano o interior do olho e não o exterior da crosta terrestre.
Executa também a Angiografia Fluoresceínica de campo ultra-amplo e permite também realizar exame de autofluorescência e infravermelho. É um instrumento polivalente e as possibilidades do uso são imensas e ultrapassam a Retinografia convencional e a Retinografia com OCT que já usávamos.