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A história dos eclipses confunde-se com a história da Astronomia.

Na Mesopotâmia, a região mais avançada da Antiguidade em Astronomia, observaram e registaram eclipses em tabuinhas de argila a partir de 2000 A.C.. Eles perceberam que os eclipses seguiam certos ciclos e pensa-se que terão assinalado cerca de 373 eclipses solares.

Na China, os eclipses eram vistos como sinais de grande importância. Uma lenda dizia que um dragão devorava o Sol durante um eclipse solar, e as pessoas faziam barulho para espantar o monstro.

No Egito os eclipses também eram frequentemente interpretados como presságios relacionados com os faraós ou o destino do seu povo.

Na Grécia Antiga, onde verdadeiramente começou o espírito científico, os filósofos gregos começaram a procurar explicações naturais para os eclipses. Tales de Mileto é tradicionalmente associado à previsão de um eclipse solar ocorrido em 585 a.C., embora os historiadores debatam o grau de precisão dessa previsão. Mais tarde, Aristarco de Samos e Hiparco usaram eclipses para estudar as dimensões e as distâncias relativas entre a Terra, a Lua e o Sol.

Na Idade Média, Astrónomos do mundo islâmico e da Índia aperfeiçoaram os cálculos astronómicos, produzindo tabelas cada vez mais precisas para prever eclipses.

Mais recentemente, em 1919, aquando de uma expedição à ilha do Príncipe para observar um eclipse solar total, as medições comprovaram que a gravidade do Sol desviava a luz das estrelas, confirmando uma previsão da Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein.

A luz do dia vem do Sol, mas a atmosfera da Terra altera profundamente a forma como essa luz chega até nós. A atmosfera espalha a luz solar, tornando o céu azul durante o dia. Sem atmosfera, o céu seria negro, mesmo com o Sol a brilhar. A atmosfera desvia e difunde a luz, o que faz com que exista claridade mesmo em locais que não recebem luz solar direta. Ao nascer e ao pôr do Sol, a luz percorre uma camada maior de atmosfera, a luz é espalhada mais intensamente, e predominam os tons avermelhados e alaranjados.

À noite com a visão nocturna, que só acontece a 100% depois de estamos 20 minutos no escuro, podemos ver as estrelas e planetas no céu, num local muito escuro. Durante um eclipse solar, a Lua bloqueia a luz direta do Sol. No entanto, a atmosfera continua a espalhar a luz que ainda chega das regiões não totalmente ocultadas. Apenas num eclipse total, quando o Sol é totalmente coberto, a luminosidade diminui de forma muito acentuada, aproximando-se do crepúsculo, mas não fica noite escura.

Por isto é que é importante assistir ao próximo eclipse de dia 12 de agosto numa zona de totalidade Não basta 99% (como se vê no Porto) tem que ser 100%.

Isso só vai acontecer acima de Bragança ou já em Espanha.

A proteção solar é muitíssimo importante na observação de um eclipse. Olhar diretamente para o sol causa cegueira irreversível. O papel do oftalmologista aqui é o de alerta agressivo. Portanto na fase de eclipse parcial só podemos olhar com óculos com filtro solar certificado Na fase de totalidade é mais seguro, mas esta dura apenas segundos.

Os eclipses estiveram sempre ligados a presságios, pela sua espetacularidade. O dia transformar-se em noite foi, ao longo dos tempos, sempre algo de transcendente.

Isso foi aproveitado pela literatura e pela banda desenhada, como no “Tintim e o Templo do Sol”,

É devido à coincidência notável do Sol ser cerca de 400 vezes maior do que a Lua, mas também de estar a aproximadamente 400 vezes mais longe. Por isso, os dois têm quase o mesmo tamanho aparente no céu, tornando possíveis os espetaculares eclipses solares totais que observamos hoje.

A Lua está a afastar-se da Terra a uma velocidade média de cerca de 3,8 centímetros por ano. À medida que se afasta a Lua parece ligeiramente menor no céu. Chegará um momento em que já não será suficientemente grande, em termos aparentes, para cobrir completamente o Sol. Nessa altura, deixarão de existir eclipses solares totais. Só haverá eclipses anulares (como o observado em 2005, no Norte de Portugal) ou parciais. No entanto, isso não acontecerá tão cedo. As estimativas indicam que os eclipses solares totais continuarão a ocorrer durante cerca de mais 600 milhões de anos. Depois disso, a Lua estará demasiado distante para ocultar totalmente o disco solar. Não é portanto motivo de preocupação, mas o próximo eclipse total visível em Portugal só será em 2144…

Aproveite.

Boas observações em segurança.

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